Sunday, June 04, 2006

O HOMEM E A ÁGUA

O corpo humano é constituído em 70% de água. Um adulto, de 80 quilos, cujo corpo não tivesse água, pesaria aproximadamente 24 quilos. Mas isso seria impossível, porque a água é fundamental, não só como componente estrutural, mas como parte constituinte e obrigatória das células. Tem ainda um papel importante como veículo no transporte de substâncias dissolvidas para dentro e fora do organismo e de todos os órgãos. Devido sua extraordinária capacidade de dissolver todo tipo de substância, além de sua incrível mobilidade, a água ainda exerce funções importantíssimas no sangue. Atravessa com facilidade as membranas das células, conduzindo substâncias na excreção ou, ainda regulando a temperatura , através da transpiração.
A água é, portanto, fundamental para a vida. Mas não é só a quantidade que importa, a qualidade também deve ser muito considerada. Ela não pode conter substâncias estranhas que possam comprometer o funcionamento das células e órgãos. Ainda não pode transportar microorganismos patogênicos. Quando a água de um manancial, seja ele um rio ou uma represa ou mesmo do subsolo, não é bem protegida ela pode se contaminar e transmitir várias doenças.
A contaminação da água se dá durante seu retorno para a natureza, depois de usada. O caminho de volta, pode ser mais longo ou mais curto, mas é inevitável.
Até meados do século XIX, aproximadamente, as cidades não tinham redes de esgotos. As águas utilizadas, especialmente nos sanitários , eram depositadas em fossas no interior das casas e periodicamente eram retiradas e levadas para reservatórios públicos, chamados pelos franceses de voiries, onde permaneciam secando. A massa resultante era retirada e usada na agricultura como adubo.
Foi na Inglaterra que o sanitarista SirEdwin Chadwick (1800-1890) liderou uma campanha que culminou com uma Lei de Saúde Pública de 1848, que obrigava a ligação de todos os esgotos domésticos aos coletores urbanos, mediante a instalação da descarga hídrica, uma inovação tecnológica. A partir de então, os esgotos que só recebiam água de chuva passaram a receber enormes cargas poluidoras, principalmente matérias fecais. Se por um lado isso representou um benefício, removendo as matérias contaminadas do interior das casas, por outro começou a poluição dos rios, criando uma situação insustentável tanto na Inglaterra como nos outros países que seguiram o exemplo inglês. Em pouco tempo os rios da Inglaterra, da França, da Alemanha e dos Estados Unidos tornaram-se fontes de epidemias de cólera e tifo que dizimaram populações. Somente a partir de 1875 com a obrigatoriedade do tratamento dos esgotos e com a introdução do uso do cloro nas águas de abastecimento é que o problema foi resolvido.


Prof. Nelsinho

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